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terça-feira, 16 de setembro de 2014
Direito ao Ócio
O lazer ocupa lugar ambíguo na sociedade contemporânea. Para uma tradição moralista, o ócio é o pai de todos os vícios. É o trabalho que enobrece o homem.
No pólo oposto, vários filósofos defenderam - e defendem - o ócio como um momento especialmente criativo, que estaria na própria base da civilização ocidental.
A ambiguidade não se dá apenas no campo teórico. Tem pessoas que transformam a diversão do fim de semana numa espécie de obrigação, em que todas as atividades são minuciosamente planejadas.
Num certo sentido, o trabalho invadiu o domínio do lazer, que deve ser, acima de tudo, "produtivo". Para tirar o máximo de proveito do "tempo livre", é preciso planejá-lo e organizá-lo. É evidente que algo "livre" se perde nesse processo.
Computadores e celulares destruíram as fronteiras do escritório. O trabalho chega a qualquer hora e em qualquer lugar. O excesso de estresse é inimigo do bom desempenho.
As coisas nem sempre foram assim. Aristóteles escreveu: "O primeiro princípio de toda ação é o ócio. Ambos (ação e ócio) são necessários, mas o ócio é melhor do que a ocupação e é o fim em razão do qual esta existe.".
Tanto para os gregos como para os latinos, o ócio é o valor positivo. Não é tanto uma inatividade - embora também possa sê-lo - mas o tempo que alguém gasta em seu próprio interesse.
Quando os valores da produção começam a invadir a esfera do ócio, existe um problema. Fica abalada a ideia grega de tempo que o indivíduo destina a si mesmo. Administrar esse tempo como uma linha de produção desvirtua a noção de liberdade e de descompromisso que caracteriza e dá esse "valor" ao próprio lazer.
Autor Desconhecido
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